Blog pessoal criado em 2003
02 de Novembro de 2007




















Zimbabué - A perseguição do ditador Mugabe continua!

Ameaças de expulsão para cerca de 50 latifundiários brancos


Há cerca de meia centena de ordens de expulsão pendentes para latifundiários brancos no Zimbabué, que poderão ver as suas terras serem entregues a militares e oficiais de polícia

De acordo com dados de organizações que pediram anonimato alegando a possibilidade de represálias por parte das autoridades, são 54 os agricultores que desde o início do ano receberam intimações para abandonar as suas terras, e a maioria não respeitou os prazos estabelecidos, pelo que, depois de o Supremo Tribunal ter rejeitado um recurso apresentado, deverão agora enfrentar a polícia e os tribunais.

Entre as propriedades a serem reapropriadas está o 'Portugal Lot 1', do agricultor Johan Ferreira, distrito de Beatrice, com o qual a Agência Lusa procurou, sem sucesso, entrar em contacto.

Outro agricultor de origem portuguesa no terreno é Manuel Jardim, mas também não foi possível apurar qual é a sua situação devido às dificuldades que se registam nas comunicações com o país, onde as falhas de electricidade são frequentes e por isso as centrais telefónicas funcionam intermitentemente.

Alguns agricultores de origem europeia ou sul-africana da antiga Rodésia cederam a maior parte das suas terras para o realojamento de populações determinado pelo governo, acordando continuar o cultivo de parte delas.

Mas, pelo menos um deles, John Anderson (Aberfoyle Farm, em Gweru), recebeu a 17 de Outubro uma delegação do Ministério das Terras, acompanhado por um beneficiário, que o intimou a abandonar a restante propriedade, segundo fonte local.

Entre o final de Agosto e meados de Outubro, 15 agricultores foram detidos, a maioria nos distritos de Centenary e Chirezi, e 39 foram ouvidos em tribunal, por desrespeitarem as ordens do Ministério das Terras.

Na quarta-feira, segundo noticiou a imprensa sul-africana, foi adiado para 17 de Dezembro o julgamento do primeiro fazendeiro branco acusado de desobedecer à ordem de expulsão da sua fazenda, John Norman Eastwood.

A decisão foi tomada pelo tribunal do distrito de Chegutu, depois de o juiz ser informado pelo procurador do Ministério Público Allan Chifokoyo de que não tinham sido entregues os documentos necessários.

No mesmo distrito, da província de Mashonaland West, 15 outros agricultores enfrentam ordem de expulsão, que tinham como prazo 30 de Setembro, segundo dados a que a Lusa teve acesso.
Entre as pessoas que já se apresentaram nas propriedades para reclamar a posse das terras estão altos responsáveis do Banco do Zimbabué, nomeadamente Stephen Mashiringwani (vice-governador) em Friedville Farm.

No que é considerado localmente uma «nova vaga» de expulsões, foram ainda oficialmente identificados como beneficiários oficiais das forças armadas e da polícia zimbabueana.

Entre os mais activos está o brigadeiro Mujaji, referidos em várias ordens judiciais de expulsão da Lawrencedale Farm (Headlands), propriedade do agricultor Charles Lock, e este alega que militares foram usados em «acções de intimidação».

Apresentaram-se ainda em prioridades ou são citados em documentos oficiais os oficiais Dube (major-general), Gwanetsa (brigadeiro-general na reforma), Musingaidze (general) e Samuel Muziri (tenente-coronel na reforma).

Os oficiais de polícia Veterai (comissário) e Mbedzi (sub-intendente) apresentam-se também como beneficiários, respectivamente das propriedades HVE Farm 30 (Chiredzi) e Portwe Estate (Matetsi) e HVE Farm 3 (Chiredzi), segundo as mesmas fontes.

Benoit Lagesse, proprietário das propriedades HVE 1, 2 e 4 (Chiredzi) e presidente da Associação de Produtores de Cana-de-Açúcar, relata que a 21 de Outubro foi intimado a entregar os 20 hectares de cana-de-açúcar que cultiva a um membro da Igreja Reformista do Zimbabué, reverendo Chigumo.

Há também relatos de populares, não identificados como beneficiários, e tentarem expulsar pelas suas próprias mãos os fazendeiros, como o sucedido nos dias 22 e 23 de Agosto na quinta Sangalolo, num incidente com armas de fogo que terá sido resolvido pela polícia, tendo os responsáveis sido posteriormente libertados.

«Não foi a primeira vez que estes sujeitos se apresentaram na quinta com armas. Ameaçaram os trabalhadores com espingardas numa outra ocasião. Relatei os acontecimentos à polícia, mas nada fizeram», afirma o proprietário, Neville Stildolph.

Antes do início das expulsões, há sete anos, o Zimbabué tinha 4 mil agricultores brancos e era um dos maiores produtores agrícolas africanos.

De acordo com as associações do sector, subsistem perto de 500 agricultores de origem europeia ou sul-africana no Zimbabué. As expulsões dos fazendeiros levou à deterioração acentuada das relações entre o Reino Unido, antiga potência colonial, de onde é originária a maior parte dos agricultores, e Zimbabué, presidido por Robert Mugabe.

Gordon Brown, primeiro-ministro britânico, recusa-se a participar na II Cimeira UE-África, marcada para Lisboa em Dezembro, caso o Zimbabué esteja representado, e vários outros países europeus - como Holanda e República Checa - já vieram também manifestar-se contra a presença de Mugabe.

Lusa / SOL
publicado por Pedro Quartin Graça às 14:37
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Caro Dr. Pedro Quartin Graça, em obrigação para co...
Muito lhe agradeço a sua atenção! Parabéns!
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