Blog pessoal criado em 2003
16 de Abril de 2006

AINDA AS QUOTAS...
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Bem prega Frei Tomás
Por Cristina Figueiredo - Editora do jornal "Expresso"

Foi na entrevista que deu ao EXPRESSO, há cerca de um mês, que José Sócrates anunciou a intenção de alargar ao país político a obrigatoriedade (já praticada internamente pelo PS) de incluir uma mulher em cada três nomes na constituição de listas eleitorais.
Questionado sobre se isso não o deixava a ele, primeiro-ministro, particularmente mal-colocado, uma vez que no seu Governo de 16 ministros apenas dois são do sexo feminino, Sócrates limitou-se a confirmar que, de facto, na hora da escolha da sua equipa não levou em consideração o género, mas outros critérios (entre os quais, é de crer, a competência). Eis assim como uma (aparente) boa intenção cai pela base ao primeiro embate com a crua realidade.
Confesso que a ideia de quotas me incomoda. Não consigo deixar de a associar a uma falsa ideia de justiça, cujo resultado é o contrário daquele que é suposto produzir. Sob o louvável objectivo de promover a paridade, o que faz, quanto a mim, não é mais do que legitimar a discriminação.
Em primeiro lugar (perdoem-me a «heresia», defensoras das quotas) dos homens preteridos, que deixam de ter um lugar que de outra forma lhes caberia. E em segundo, das próprias promovidas que passam a ostentar na testa a única razão (até pode nem ser a única, mas vai ser esse o resultado) pela qual o foram. A próxima composição do hemiciclo, se obedecer já às novas orientações, terá um terço de mulheres. Alguém duvida que todos estaremos mais que nunca atentos ao seu desempenho, na expectativa de confirmarmos que a competência, a preparação, a motivação e o entusiasmo com o exercício do cargo dos 230 deputados, não só não mudou para melhor como, porventura (admito enganar-me neste ponto), até piorou?
É indesmentível que a realidade política portuguesa não espelha os níveis de participação das mulheres nos demais sectores da sociedade. Mas a realidade empresarial também não. E pelo que vejo à minha volta, não me parece que se esteja em vias de estabelecer quotas por forma a que haja cada vez mais representantes do sexo feminino em lugares de chefia. Por mim, entro em depressão no dia em que souber que me convidam para esta ou aquela função pelo facto de assinalar F, e não M, nos formulários sobre dados pessoais.
Num ponto concedo bondade à medida: o facto de obrigar à renovação dos aparelhos partidários, há muito reféns dos mesmos (e estes incapazes de abdicar dos seus «poderzinhos»). Mas o mesmo objectivo não seria alcançável por outras vias, por exemplo, através de uma alteração dos estatutos partidários, por forma a garantir uma efectiva limitação de mandatos do topo à base?

3 Abril 2006
publicado por Pedro Quartin Graça às 22:55
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Caro Dr. Pedro Quartin Graça, em obrigação para co...
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