Blog pessoal criado em 2003
04 de Junho de 2006

Timor-Leste: População grita vivas a Portugal e à GNR

Os timorenses receberam hoje com gritos efusivos, bandeiras e cachecóis de Portugal os 120 militares da GNR que chegavam ao bairro Kuluhun, na entrada em Díli, uma recepção que revela a confiança da população nos agentes portugueses.
Na ponte de Becora, jovens e velhos, os primeiros com bandeiras e gritos de Viva a Portugal, os outros em palmas e animação, acolheram a coluna que partiu ao início da tarde de hoje de Baucau, 120 quilómetros a leste de Díli.

À semelhança do que já tinha ocorrido na passagem por Manatuto e Metinaro, no caminho para a capital, também em Díli a população ladeava as ruas, saudando os militares.

Espantados, sem perceber o que se passava, seis soldados australianos, em patrulha na zona, param para ver a coluna passar e um deles, em dúvida, perguntou ao timorense mais próximo: «o que é isto?».

«São os soldados de Portugal», disse o jovem, em inglês.

Maria da Piedade, bebé ao colo, furou a multidão, e conseguiu aproximar-se o suficiente de um dos carros da coluna para entregar a um militar português um ramo de «bungha», uma flor rosa tradicional de Timor-Leste.

E emocionada disse: «estou muito alegre porque os soldados de Portugal estão agora em Díli. Agora vai haver paz».

De trás, mais flores caíam sobre as carrinhas da coluna, formada por viaturas da cooperação portuguesa, camiões de caixa aberta carregados com o equipamento da GNR e carros e motas de timorenses que se juntaram na entrada em Díli.

Vítor, de seis anos, uma das dezenas de crianças que se juntaram à festa, traduzia outro sentimento que ecoa em Kuluhun: «estou contente porque gosto muito de Portugal».

Manuel de Sousa, funcionário do Ministério da Saúde quis falar aos jornalistas, dizer que está «muito contente» e que «até hoje a segurança em Díli não estava garantida».

«Com a chegada da GNR tenho a certeza que todos vão voltar para casa», afirma.

E, com a certeza que os seus mais de 50 anos lhe conferem, pediu que os militares portugueses não sejam como os australianos, «serenos e meigos», mas tenham antes «uma atitude mais dura e severa».

«Duríssima mesmo. Estas lutas pelas cadeiras do poder deixam o povo em cheque», acrescentou um outro timorense, dentes vermelhos do betel.

Eduardo, por seu lado, explicou a esperança que a população de Díli deposita na chegada dos efectivos portugueses, não tanto pela eventual dureza da sua acção, mas antes porque «conhecem muito bem o país e, por mais grave que seja o problema, vão ajudar a resolve-lo».

O acolhimento em Díli traduz o entusiasmo que domina todas as conversas na cidade.

Residentes, governantes e expatriados juntam-se na expectativa de que a chegada do contingente português possa fazer regressar a Díli, sem policiamento há quase duas semanas, a segurança suficiente para que as dezenas de milhares de desalojados possam voltar às suas casas.

Uma situação que, na opinião do major Paulo Soares, da GNR no terreno, «eleva os patamares de responsabilidade» da equipa de militares portugueses agora no terreno.

«Sentimos de facto essa ansiedade e uma enorme expectativa quanto à nossa chegada», disse à agência Lusa.

«Mas este é um contingente com muita experiência, quer ao nível de missões aqui em Timor-Leste, quer no Iraque. São militares habituados a lidar com este tipo de situações e que actuarão sempre dentro da sua capacidade técnica e operacional, e independentemente das ansiedades e das expectativas», frisou.

Ainda que grande parte do equipamento dos militares portugueses não esteja ainda no terreno, Paulo Soares garantiu que a partir do momento em que chegar a Díli, e ainda que esteja em fase de instalação, o contingente terá «capacidade de actuação».

«Não lhe posso dizer se será numa actuação com os 120 ou com um grupo mais reduzido, mas está preparado para actuar de imediato», frisou.

Esta é a segunda vez que a equipa de operações especiais da GNR actua em Timor-Leste, depois de uma missão de dimensão idêntica ter estado no terreno entre Fevereiro de 2000 e Junho de 2002.

Os militares portugueses estão em Timor-Leste na sequência de um pedido formalizado pelas autoridades timorenses a Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia para o envio de forças militares e policiais para apoiar na restauração da lei e ordem em Díli.

Nos últimos meses, Timor-Leste tem vivido os seus piores momentos de tensão, instabilidade e violência desde que se tornou independente, há quatro anos, na sequencia da eclosão de uma crise político-militar que tem sido marcada por divisões no seio das Forças Armadas e da Polícia Nacional, e elevada tensão política.

Diário Digital / Lusa

04-06-2006 10:05:00
publicado por Pedro Quartin Graça às 14:51

RUI RIO, A POLÍTICA, OS POLÍTICOS e OS MEDIA

Não conheço pessoalmente Rui Rio. Mas habituei-me a considerá-lo um homem sério e defensor da causa pública, fruto das suas posições públicas e da sua prática política nos últimos anos. Talvez, também, por ambos termos frequentado, na infância, a mesma escola, com os mesmos princípios e métodos. Ele, a Escola Alemã do Porto. Eu, a de Lisboa.

Vem isto a propósito da entrevista hoje, domingo 4 de Junho, dada por Rui Rio ao diário "Correio da Manhã". Como é públicamente sabido trata-se de um jornal pelo qual não nutro especial simpatia (pelo facto, e apenas por este, de ter sido maltratado, sem razão, pelo mesmo jornal) mas que leio com frequência.

Não aprecio todavia ao "Correio da Manhã" a sistemática e aparentemente infundada cruzada que faz contra a política e os políticos.

Pois hoje Rui Rio deu ao referido jornal uma entrevista interessante. De que destaco seguinte trecho: à pergunta:

__________________

- A Justiça é o maior problema (de Portugal)?, responde Rui Rio:

"– Pela leitura que faço do País e do regime, o poder político é fraco e está cada vez mais fraco e condicionado pelos grandes interesses, pelas corporações e pelos poderes fácticos. Só vejo uma solução no âmbito do regime: mais democracia representativa. Quando a democracia falha deve ter capacidade para se regenerar. Os órgãos legitimamente eleitos devem ter as condições para governar.

– E porque é tão crítico da Comunicação Social (CS)?

O principal problema do País é político. A democracia não convive com falta de autoridade. O principal problema do regime nem é a crise económica. Para mim isso é claro. Tudo começa com o inequívoco enfraquecimento do poder político. A CS tem aqui uma responsabilidade gigantesca, porque na lógica do seu funcionamento e no quadro de impunidade em que actua, enfraquece o regime e tenta formatar a opinião pública à luz dos seus interesses. E o primeiro deles é o lucro. Mas não pode ser à custa da violação dos legítimos direitos das pessoas e de descredibilizar a democracia. Veja o que acontece com a promiscuidade entre sectores da Justiça e a CS. Em termos democráticos é, no mínimo, miserável. Em alguns casos nem no Estado Novo se assistiu a isto.

– Como se resolve isso?

Tem de ser o poder político a resolver. Pelo menos, PS, PSD e PP deviam entender-se nas questões de regime. Se não o fizerem rapidamente a tendência será para a ingovernabilidade. O verdadeiro problema é que o poder político tem-se vindo a enfraquecer gradualmente. Democracia não pode significar falta de autoridade."
________________________

Rui Rio tem toda a razão. Colocou, e bem, o dedo na ferida. Apontou os erros a quem de direito. Os que, no poder, contribuem para o enfraquecimento das instituições políticas , e do Parlamento nacional em especial. Os que, na comunicação social, ajudam diariamente ao empobrecimento do regime e à destruição da imagem pública dos políticos.

Neste âmbito José Sócrates tem uma grande dose de responsabilidade. E, ironicamente, o "Correio da Manhã" também...É por isso que o registo público de interesses dos jornalistas e dos demais responsáveis dos jornais começa a fazer todo o sentido. E nisso (talvez mesmo só nisso) Manuel Maria Carrilho tem toda a razão...
publicado por Pedro Quartin Graça às 13:01
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Obrigado pelo seu comentário.PQG
Lembro-me perfeitamente desse dia trágico: a surpr...
É lamentável, cada vez dou-Lhe menos crédito. Mona...
De acordo com os seus pressupostos mas....como diz...
Caro Dr. Pedro Quartin Graça, em obrigação para co...
Muito lhe agradeço a sua atenção! Parabéns!